O FESTIVAL » FIT 2017

Espectro de um tempo

Um festival pretende ser uma experiência de tempo, um recorte para o compartilhamento  e serve como um observatório. O observar deve estar a serviço da investigação, e essa investigação a serviço do conhecimento, que  invariavelmente nos convoca a viver na incerteza de um tempo espectral.

O exercício curatorial de pensar um acontecimento para as artes cênicas implica em estabelecer uma conexão com o tempo, que é a matéria do homem e revela no tempo presente o elemento primeiro da constituinte do teatro, no encontro real entre diferentes fluxos de informações.

Nesse exercício, a programação desta edição sugere um olhar para as camadas polifônicas das questões sociais e humanas contidas em muitas das obras, evidenciadas na elaboração de consciências de pertencimento e que servem de matéria-prima para a construção de uma narrativa que investiga todos os aspectos que envolvem a artesania teatral.

Dessa forma, um teatro que reflete seu tempo, não como um retrato documental, mas como um meio ambivalente no qual insere-se tanto às investigações técnicas, como a observação do criador, o olhar do artista, sua inquietação sobre a relação entre política e forma teatral, decodificando os muros que dividem um compasso único de poética múltipla.

Em busca de um pensamento que apresente sentido para o encontro de todas essas criações, nos deparamos com projetos artísticos que vislumbram a reinvenção de um país e também com íntimos recortes de uma narrativa construída a partir de uma singela frasqueira encontrada no lixo e que aponta sua potência de possibilidades micropolíticas desenhadas em vestígios de vida.

São encontros de diferentes desejos, mas que constatam proximidade no momento em que criamos disposição do conhecimento do todo.

Sob a perspectiva do filósofo Blaise Pascal, é impossível conhecer as partes se não conhecer o todo, assim como é inimaginável conhecer o todo se não conhecer particularmente as partes. Um movimento contínuo em direção à descoberta e busca pela capacidade de contextualizar, de situar o conhecimento e uma informação a fim de que eles adquiram sentido.

E um festival cria sentido quando permite-se ao risco e à sua capacidade de fomentar territórios propícios à investigação.

Que a incerteza nos seja favorável.


Adriana Souza, Graziela Nunes e Jorge Vermelho
Curadoria FIT Rio Preto 2017


FIT Rio Preto - Um festival de parcerias 

São José do Rio Preto terá, de 6 a 15 de julho, o status de Capital Nacional do Teatro, com a realização do FIT – Festival Internacional de Teatro, que vem se consolidando como um dos mais respeitados do Brasil e com reconhecimento internacional.

O FIT tem uma história de 48 anos de conquistas e resistência. A primeira edição foi em 1969. De lá para cá, sempre foi realizado pela Prefeitura de Rio Preto.

A atual parceria com o Sesc São Paulo, que teve início em 2001 e se estendeu até 2013, volta nesta edição de 2017 e renova os ares do Festival e o compromisso com a cidade.

Na programação deste ano, artistas vindos da Polônia, da África do Sul, de Portugal e da Colômbia se juntarão aos inúmeros artistas brasileiros para levar ao público o que há de mais inquietante e investigativo no cenário das artes cênicas.

Além das apresentações nos teatros, praças e ruas, teremos o Graneleiro como um lugar de encontro entre artistas e público. O Complexo Swift de Educação e Cultura volta a pulsar e a respirar arte.

Nosso primeiro compromisso foi o de cuidar das pessoas e da cidade, e resgatar a magnitude do FIT Rio Preto é entender a cidade como um organismo vivo que se constitui principalmente da relação das pessoas com sua história.

Rio Preto é uma cidade acolhedora, de coração quente, e todos sejam bem-vindos a este encontro que celebra a arte e a cultura.


Edinho Araújo
Prefeito de São José do Rio Preto



Encontros e Permanências

A ideia de permanência constitui uma das chaves da atuação no campo das ações socioculturais e educativas. A continuidade no tempo possibilita a experimentação de novos processos e formatos, bem como permite aprofundar ou rever estratégias à luz de avaliações e diálogos com os demais envolvidos. 

Por vezes, a manutenção de determinado projeto ou sua descontinuidade depende de uma série de fatores e elementos articulados com as esferas pública e privada, para que prevaleçam consensos e pactos na perspectiva de agregar significados, inquietações e desafios aos seus proponentes e beneficiários.

Considerando a pertinência dessa abordagem, outras dimensões podem ser incluídas como relações desejáveis: direito à cidade, acesso e protagonismo dos diferentes públicos, trocas de experiências e interações, vivência e apropriação do ambiente e dos códigos, cultivo e celebração de encontros e descobertas.   

É com essa disposição e expectativa que retornamos à 17º. edição do FIT – Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, respaldados por uma política institucional que preconiza as parcerias e a corresponsabilidade como meios para incentivar novas redes de colaboração e intercâmbio em nível regional, nacional e internacional.  

Nesse sentido, para além das apresentações cênicas, o Sesc, ao lado da prefeitura de São José do Rio Preto, promove processos formativos para que os momentos de celebração coletiva possam estimular interações permanentes com os diversos públicos. Assim como pressupõe abertura para outras relações com a cidade e com seus espaços e agentes, históricos e contemporâneos, irrigando diferentes setores da vida social.  


Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do Sesc São Paulo